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A verdade sobre a maconha.

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A verdade sobre a maconha.

Mensagem por Convidad em Sab Jul 30, 2011 8:57 am




Poucos assuntos dão margem a tanta mentira, tanta deturpação,
tanta desinformação. Afinal, quais os verdadeiros motivos por trás da
proibição da maconha? A droga faz mal ou não? E isso importa?

Por Denis Russo Burgierman / Alceu Nunes



Por que a maconha é proibida? Porque faz mal à saúde. Será mesmo? Então, por que o bacon não é proibido? Ou as anfetaminas? E, diga-se de passagem, nenhum mal sério à saúde foi comprovado para o uso esporádico de maconha. A guerra contra essa planta
foi motivada muito mais por fatores raciais, econômicos, políticos e
morais do que por argumentos científicos. E algumas dessas razões são
inconfessáveis. Tem a ver com o preconceito contra árabes, chineses,
mexicanos e negros, usuários freqüentes de maconha no começo do século
XX. Deve muito aos interesses de indústrias poderosas dos anos 20, que
vendiam tecidos sintéticos e papel e queriam se livrar de um
concorrente, o cânhamo. Tem raízes também na bem-sucedida estratégia de
dominação dos Estados Unidos sobre o planeta. E, é claro, guarda relação
com o moralismo judaico-cristão (e principalmente
protestante-puritano), que não aceita a idéia do prazer sem merecimento –
pelo mesmo motivo, no passado, condenou-se a masturbação.

Não é fácil falar desse assunto – admito que levei um dia inteiro
para compor o parágrafo acima. O tema é tão carregado de ideologia e as
pessoas têm convicções tão profundas sobre ele que qualquer convite ao
debate, qualquer insinuação de que estamos lidando mal com o problema já
é interpretada como “apologia às drogas” e, portanto, punível com
cadeia. O fato é que, apesar da desinformação dominante, sabe-se muito
sobre a maconha. Ela é cultivada há milênios e centenas de pesquisas já
foram feitas sobre o assunto. O que tentei fazer foi condensar nestas
páginas o conhecimento que a humanidade reuniu sobre a droga nos milênios em que convive com ela.

Por que é proibido?

“O corpo esmagado da menina jazia espalhado na calçada um dia depois
de mergulhar do quinto andar de um prédio de apartamentos em Chicago.
Todos disseram que ela tinha se suicidado, mas, na verdade, foi
homicídio. O assassino foi um narcótico conhecido na América como
marijuana e na história
como haxixe. Usado na forma de cigarros, ele é uma novidade nos Estados
Unidos e é tão perigoso quanto uma cascavel.” Começa assim a matéria
“Marijuana: assassina de jovens”, publicada em 1937 na revista American
Magazine. A cena nunca aconteceu. O texto era assinado por um
funcionário do governo chamado Harry Anslinger. Se a maconha, hoje, é
ilegal em praticamente todo o mundo, não é exagero dizer que o maior
responsável foi ele.

Nas primeiras décadas do século XX, a maconha era liberada, embora
muita gente a visse com maus olhos. Aqui no Brasil, maconha era “coisa
de negro”, fumada nos terreiros de candomblé para facilitar a
incorporação e nos confins do país por agricultores depois do trabalho.
Na Europa, ela era associada aos imigrantes árabes e indianos e aos
incômodos intelectuais boêmios. Nos Estados Unidos, quem fumava eram os
cada vez mais numerosos mexicanos – meio milhão deles cruzaram o Rio
Grande entre 1915 e 1930 em busca de trabalho. Muitos não acharam. Ou
seja, em boa parte do Ocidente, fumar maconha era relegado a classes
marginalizadas e visto com antipatia pela classe média branca.

Pouca gente sabia, entretanto, que a mesma planta
que fornecia fumo às classes baixas tinha enorme importância econômica.
Dezenas de remédios – de xaropes para tosse a pílulas para dormir –
continham cannabis. Quase toda a produção de papel usava como
matéria-prima a fibra do cânhamo, retirada do caule do pé de maconha. A
indústria de tecidos também dependia da cannabis – o tecido de cânhamo
era muito difundido, especialmente para fazer cordas, velas de barco,
redes de pesca e outros produtos que exigissem um material muito
resistente. A Ford estava desenvolvendo combustíveis e plásticos feitos a
partir do óleo da semente de maconha. As plantações de cânhamo tomavam áreas imensas na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1920, sob pressão de grupos religiosos protestantes, os Estados
Unidos decretaram a proibição da produção e da comercialização de
bebidas alcoólicas. Era a Lei Seca, que durou até 1933. Foi aí que Henry
Anslinger surgiu na vida pública americana – reprimindo o tráfico de
rum que vinha das Bahamas. Foi aí, também, que a maconha entrou na vida
de muita gente – e não só dos mexicanos. “A proibição do álcool foi o
estopim para o ‘boom’ da maconha”, afirma o historiador inglês Richard
Davenport-Hines, especialista na história
dos narcóticos, em seu livro The Pursuit of Oblivion (A busca do
esquecimento, ainda sem versão para o Brasil). “Na medida em que ficou
mais difícil obter bebidas alcoólicas e elas ficaram mais caras e
piores, pequenos cafés que vendiam maconha começaram a proliferar”,
escreveu.

Anslinger foi promovido a chefe da Divisão de Controle Estrangeiro do
Comitê de Proibição e sua tarefa era cuidar do contrabando de bebidas.
Foi nessa época que ele percebeu o clima de antipatia contra a maconha
que tomava a nação. Clima esse que só piorou com a quebra da Bolsa, em
1929, que afundou a nação numa recessão. No sul do país, corria o boato
de que a droga
dava força sobre-humana aos mexicanos, o que seria uma vantagem injusta
na disputa pelos escassos empregos. A isso se somavam insinuações de
que a droga
induzia ao sexo promíscuo (muitos mexicanos talvez tivessem mais
parceiros que um americano puritano médio, mas isso não tem nada a ver
com a maconha) e ao crime (com a crise, a criminalidade aumentou entre
os mexicanos pobres, mas a maconha é inocente disso). Baseados nesses
boatos, vários Estados começaram a proibir a substância. Nessa época, a
maconha virou a droga de escolha dos músicos de jazz, que afirmavam ficar mais criativos depois de fumar.

Anslinger agarrou-se firme à bandeira proibicionista, batalhou para
divulgar os mitos antimaconha e, em 1930, quando o governo, preocupado
com a cocaína e o ópio, criou o FBN (Federal Bureau of Narcotics, um
escritório nos moldes do FBI para lidar com drogas), ele articulou para
chefiá-lo. De repente, de um cargo burocrático obscuro, Anslinger passou
a ser o responsável pela política de drogas do país. E quanto mais substâncias fossem proibidas, mais poder ele teria.

Mas é improvável que a cruzada fosse motivada apenas pela sede de
poder. Outros interesses devem ter pesado. Anslinger era casado com a
sobrinha de Andrew Mellon, dono da gigante petrolífera Gulf Oil e um dos
principais investidores da igualmente gigante Du Pont. “A Du Pont foi
uma das maiores responsáveis por orquestrar a destruição da indústria do
cânhamo”, afirma o escritor Jack Herer, em seu livro The Emperor Wears
No Clothes (O imperador está nu, ainda sem tradução). Nos anos 20, a
empresa estava desenvolvendo vários produtos a partir do petróleo:
aditivos para combustíveis, plásticos, fibras sintéticas como o náilon e
processos químicos para a fabricação de papel feito de madeira. Esses
produtos tinham uma coisa em comum: disputavam o mercado com o cânhamo.

Seria um empurrão considerável para a nascente indústria de
sintéticos se as imensas lavouras de cannabis fossem destruídas, tirando
a fibra do cânhamo e o óleo da semente do mercado. “A maconha foi
proibida por interesses econômicos, especialmente para abrir o mercado
das fibras naturais para o náilon”, afirma o jurista Wálter Maierovitch,
especialista em tráfico de entorpecentes e ex-secretário nacional
antidrogas.

Anslinger tinha um aliado poderoso na guerra contra a maconha:
William Randolph Hearst, dono de uma imensa rede de jornais. Hearst era a
pessoa mais influente dos Estados Unidos. Milionário, comandava suas
empresas de um castelo monumental na Califórnia, onde recebia artistas
de Hollywood para passear pelo zoológico particular ou dar braçadas na
piscina coberta adornada com estátuas gregas. Foi nele que Orson Welles
se inspirou para criar o protagonista do filme Cidadão Kane. Hearst
sabidamente odiava mexicanos. Parte desse ódio talvez se devesse ao fato
de que, durante a Revolução Mexicana de 1910, as tropas de Pancho Villa
(que, aliás, faziam uso freqüente de maconha) desapropriaram uma enorme
propriedade sua. Sim, Hearst era dono de terras e as usava para plantar
eucaliptos e outras árvores para produzir papel. Ou seja, ele também
tinha interesse em que a maconha americana fosse destruída – levando com
ela a indústria de papel de cânhamo.

Hearst iniciou, nos anos 30, uma intensa campanha contra a maconha. Seus jornais passaram a publicar seguidas matérias sobre a droga,
às vezes afirmando que a maconha fazia os mexicanos estuprarem mulheres
brancas, outras noticiando que 60% dos crimes eram cometidos sob efeito
da droga (um número tirado sabe-se lá de onde). Nessa época, surgiu a história
de que o fumo mata neurônios, um mito repetido até hoje. Foi Hearst
que, se não inventou, ao menos popularizou o nome marijuana (ele queria
uma palavra que soasse bem hispânica, para permitir a associação direta
entre a droga e os mexicanos). Anslinger era presença constante nos jornais de
Hearst, onde contava suas histórias de terror. A opinião pública ficou
apavorada. Em 1937, Anslinger foi ao Congresso dizer que, sob o efeito
da maconha, “algumas pessoas embarcam numa raiva delirante e cometem
crimes violentos”.

Os deputados votaram pela proibição do cultivo, da venda e do uso da
cannabis, sem levar em conta as pesquisas que afirmavam que a substância
era segura. Proibiu-se não apenas a droga, mas a planta. O homem simplesmente cassou o direito da espécie Cannabis sativa de existir.

Anslinger também atuou internacionalmente. Criou uma rede de espiões e
passou a freqüentar as reuniões da Liga das Nações, antecessora da ONU,
propondo tratados cada vez mais duros para reprimir o tráfico
internacional. Também começou a encontrar líderes de vários países e a
levar a eles os mesmos argumentos aterrorizantes que funcionaram com os
americanos. Não foi difícil convencer os governos – já na década de 20 o
Brasil adotava leis federais antimaconha. A Europa também embarcou na
onda proibicionista.

“A proibição das drogas serve aos governos porque é uma forma de
controle social das minorias”, diz o cientista político Thiago
Rodrigues, pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre
Psicoativos. Funciona assim: maconha é coisa de mexicano, mexicanos são
uma classe incômoda. “Como não é possível proibir alguém de ser
mexicano, proíbe-se algo que seja típico dessa etnia”, diz Thiago.
Assim, é possível manter sob controle todos os mexicanos – eles estarão
sempre ameaçados de cadeia. Por isso a proibição da maconha fez tanto
sucesso no mundo. O governo brasileiro achou ótimo mais esse instrumento
para manter os negros sob controle. Os europeus também adoraram poder
enquadrar seus imigrantes.

A proibição foi virando uma forma de controle internacional por parte
dos Estados Unidos, especialmente depois de 1961, quando uma convenção
da ONU determinou que as drogas são ruins para a saúde
e o bem-estar da humanidade e, portanto, eram necessárias ações
coordenadas e universais para reprimir seu uso. “Isso abriu espaço para
intervenções militares americanas”, diz Maierovitch. “Virou um pretexto
oportuno para que os americanos possam entrar em outros países e exercer
os seus interesses econômicos.”

Estava erguida uma estrutura mundial interessada em manter as drogas
na ilegalidade, a maconha entre elas. Um ano depois, em 1962, o
presidente John Kennedy demitiu Anslinger – depois de nada menos que 32
anos à frente do FBN. Um grupo formado para analisar os efeitos da droga
concluiu que os riscos da maconha estavam sendo exagerados e que a tese
de que ela levava a drogas mais pesadas era furada. Mas não veio a
descriminalização. Pelo contrário. O presidente Richard Nixon endureceu
mais a lei, declarou “guerra às drogas” e criou o DEA (em português,
Escritório de Coação das Drogas), um órgão ainda mais poderoso que o
FBN, porque, além de definir políticas, tem poder de polícia.

Maconha faz mal?

Taí uma pergunta que vem sendo feita faz tempo. Depois de mais de um
século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco e
só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. A preocupação da ciência
com esse assunto começou em 1894, quando a Índia fazia parte do Império
Britânico. Havia, então, a desconfiança de que o bhang, uma bebida à
base de maconha muito comum na Índia, causava demência. Grupos
religiosos britânicos reivindicavam sua proibição. Formou-se a Comissão
Indiana de Drogas da Cannabis, que passou dois anos investigando o tema.
O relatório final desaconselhou a proibição: “O bhang é quase sempre
inofensivo quando usado com moderação e, em alguns casos, é benéfico. O
abuso do bhang é menos prejudicial que o abuso do álcool”.

Em 1944, um dos mais populares prefeitos de Nova York, Fiorello La
Guardia, encomendou outra pesquisa. Em meio à histeria antimaconha de
Anslinger, La Guardia resolveu conferir quais os reais riscos da tal droga
assassina. Os cientistas escolhidos por ele fizeram testes com
presidiários (algo comum na época) e concluíram: “O uso prolongado da droga
não leva à degeneração física, mental ou moral”. O trabalho passou
despercebido no meio da barulheira proibicionista de Anslinger.

A partir dos anos 60, várias pesquisas parecidas foram encomendadas
por outros governos. Relatórios produzidos na Inglaterra, no Canadá e
nos Estados Unidos aconselharam um afrouxamento nas leis. Nenhuma dessas
pesquisas foi suficiente para forçar uma mudança. Mas a experiência
mais reveladora sobre a maconha e suas conseqüências foi realizada fora
do laboratório. Em 1976, a Holanda decidiu parar de prender usuários de
maconha desde que eles comprassem a droga
em cafés autorizados. Resultado: o índice de usuários continua
comparável aos de outros países da Europa. O de jovens dependentes de
heroína caiu – estima-se que, ao tirar a maconha da mão dos traficantes,
os holandeses separaram essa droga das mais pesadas e, assim, dificultaram o acesso a elas.

Nos últimos anos, os possíveis males da maconha foram cuidadosamente
escrutinados – às vezes por pesquisadores competentes, às vezes por
gente mais interessada em convencer os outros da sua opinião. Veja
abaixo um resumo do que se sabe:

Câncer

Não se provou nenhuma relação direta entre fumar maconha e câncer de
pulmão, traquéia, boca e outros associados ao cigarro. Isso não quer
dizer que não haja. Por muito tempo, os riscos do cigarro foram
negligenciados e só nas últimas duas décadas ficou claro que havia uma
bomba-relógio armada – porque os danos só se manifestam depois de
décadas de uso contínuo. Há o temor de que uma bomba semelhante esteja
para explodir no caso da maconha, cujo uso se popularizou a partir dos
anos 60. O que se sabe é que o cigarro de maconha tem praticamente a
mesma composição de um cigarro comum – a única diferença significativa é
o princípio ativo. No cigarro é a nicotina, na maconha o
tetrahidrocanabinol, ou THC. Também é verdade que o fumante de maconha
tem comportamentos mais arriscados que o de cigarro: traga mais
profundamente, não usa filtro e segura a fumaça por mais tempo no pulmão
(o que, aliás, segundo os cientistas, não aumenta os efeitos da droga).

Em compensação, boa parte dos maconheiros fuma muito menos e pára ou
reduz o consumo depois dos 30 anos (parar cedo é sabidamente uma forma
de diminuir drasticamente o risco de câncer). Em resumo: o usuário
eventual de maconha, que é o mais comum, não precisa se preocupar com um
aumento grande do risco de câncer. Quem fuma mais de um baseado por dia
há mais de 15 anos deve pensar em parar.

Dependência

Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve
um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e
tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou
apenas uma válvula de escape. “Dependência de maconha não é problema da
substância, mas da pessoa”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier,
coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da
Escola Paulista de Medicina. Segundo Dartiu, há um perfil claro do
dependente de maconha: em geral, ele é jovem, quase sempre ansioso e
eventualmente depressivo. Pessoas que não se encaixam nisso não
desenvolvem o vicio. “E as que se encaixam podem tanto ficar dependentes de maconha quanto de sexo, de jogo, de internet”, diz.

Muitos especialistas apontam para o fato de que a maconha está
ficando mais perigosa – na medida em que fica mais potente. Ao longo dos
últimos 40 anos, foi feito um melhoramento genético, cruzando plantas
com alto teor de THC. Surgiram variedades como o skunk. No último ano,
foram apreendidos carregamentos de maconha alterada geneticamente no
Leste europeu – a engenharia genética é usada para aumentar a potência, o
que poderia aumentar o potencial de dependência. Segundo o farmacólogo
Leslie Iversen, autor do ótimo The Science of Marijuana (A ciência
da maconha, sem tradução para o português) e consultor para esse tema
da Câmara dos Lordes (o Senado inglês), esses temores são exagerados e o
aumento da concentração de THC não foi tão grande assim.

Para além dessa discussão, o fato é que, para quem é dependente,
maconha faz muito mal. Isso é especialmente verdade para crianças e
adolescentes. “O sujeito com 15 anos não está com a personalidade
formada. O uso exagerado de maconha pode ser muito danoso a ele”, diz
Dartiu. O maior risco para adolescentes que fumam maconha é a síndrome
amotivacional, nome que se dá à completa perda de interesse que a droga
causa em algumas pessoas. A síndrome amotivacional é muito mais
freqüente em jovens e realmente atrapalha a vida – é quase certeza de
bomba na escola e de crise na família.

Danos cerebrais

“Maconha mata neurônios.” Essa frase, repetida há décadas, não passa
de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC
destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses
de elefante em ratinhos –, mas nada foi encontrado.

Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades
cognitivas do usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória.
Sabe-se que o usuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de
curto prazo prejudicada. São bem comuns os relatos de pessoas que têm
idéias que parecem geniais durante o “barato”, mas não conseguem
lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso acontece porque a memória
de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as
memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse
“desligamento” da memória que o usuário perde a noção do tempo). Mas
esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar que tudo volta a
funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio, que fica mais
lento quando o usuário fuma muito freqüentemente.

Há pesquisas com usuários “pesados” e antigos, aqueles que fumam
vários baseados por dia há mais de 15 anos, que mostraram que eles se
saem um pouco pior em alguns testes, principalmente nos de memória e de
atenção. As diferenças, no entanto, são sutis. Na comparação com o
álcool, a maconha leva grande vantagem: beber muito provoca danos
cerebrais irreparáveis e destrói a memória.

Coração

O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos e, para compensar,
acelera os batimentos cardíacos. Isso não oferece risco para a maioria
dos usuários, mas a droga deve ser evitada por quem sofre do coração.

Infertilidade

Pesquisas mostraram que o usuário freqüente tem o número de
espermatozóides reduzido. Ninguém conseguiu provar que isso possa causar
infertilidade, muito menos impotência. Também está claro que os
espermatozóides voltam ao normal quando se pára de fumar.

Depressão imunológica

Nos anos 70, descobriu-se que o THC afeta os glóbulos brancos,
células de defesa do corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou
relação entre o uso de maconha e a incidência de infecções.

Loucura

No passado, acreditava-se que maconha causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se que a droga pode precipitar crises em quem já tem doenças psiquiátricas.

Gravidez

Algumas pesquisas apontaram uma tendência de filhos de mães que
usaram muita maconha durante a gravidez de nascer com menor peso. Outras
não confirmaram a suspeita. De qualquer maneira, é melhor evitar
qualquer droga psicoativa durante a gestação. Sem dúvida, a mais perigosa delas é o álcool.

Maconha faz bem?

No geral, não. A maioria das pessoas não gosta dos efeitos e as
afirmações de que a erva, por ser “natural”, faz bem, não passam de
besteira. Outros adoram e relatam que ela ajuda a aumentar a
criatividade, a relaxar, a melhorar o humor, a diminuir a ansiedade. É
inevitável: cada um é um.

O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a maconha. Hoje há
muitas pesquisas com a cannabis para usá-la como remédio. Segundo o
farmacólogo inglês Iversen, não há dúvidas de que ela seja um remédio
útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um certo exagero
sobre seus potenciais. Em outras palavras: a maconha não é a salvação da
humanidade. Um dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar o
efeito medicinal da droga
do efeito psicoativo – ou seja, criar uma maconha que não dê “barato”.
Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que isso é
impossível: aparentemente, as mesmas propriedades químicas que alteram a
percepção do cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse fato é
uma das limitações da maconha como medicamento, já que muitas pessoas
não gostam do efeito mental. No Brasil, assim como em boa parte do
mundo, o uso médico da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o
remédio ilegalmente. Conheça alguns dos usos:

Câncer

Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjôos terríveis,
eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há
medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são eficientes. No entanto,
alguns pacientes não respondem a nenhum remédio legal e respondem
maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e
paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu
uma batalha de 20 anos contra o câncer (veja mais sobre ele na página
23). Gould nunca tinha usado drogas psicoativas – ele detestava a idéia
de que interferissem no funcionamento do cérebro. Veja o que ele disse:
“A maconha funcionou como uma mágica. Eu não gostava do ‘efeito
colateral’ que era o borrão mental. Mas a alegria cristalina de não ter
náusea – e de não experimentar o pavor nos dias que antecediam o
tratamento – foi o maior incentivo em todos os meus anos de
quimioterapia”.

Aids

Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de
seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para
restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode
prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal
requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a
cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico.
Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode
ser um risco para doentes de Aids.

Esclerose múltipla

Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e
fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas
bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja
causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as
células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os
sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas
especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema
imunológico.

Dor

A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.

Glaucoma

Essa doença caracteriza-se pelo aumento da pressão do líquido dentro
do olho e pode levar à cegueira. Maconha baixa a pressão intraocular. O
problema é que, para ser um remédio eficiente, a pessoa tem que fumar a
cada três ou quatro horas, o que não é prático e, com certeza, é nocivo
(essa dose de maconha deixaria o paciente eternamente “chapado”). Há
estudos promissores com colírios feitos à base de maconha, que agiriam
diretamente no olho, sem afetar o cérebro.

Ansiedade

Maconha é um remédio leve e pouco agressivo contra a ansiedade. Isso,
no entanto, depende do paciente. Algumas pessoas melhoram após fumar;
outras, principalmente as pouco habituadas à droga,
têm o efeito oposto. Também há relatos de sucesso no tratamento de
depressão e insônia, casos em que os remédios disponíveis no mercado,
embora sejam mais eficientes, são também bem mais agressivos e têm maior
potencial de dependência.

Dependência

Dois psiquiatras brasileiros, Dartiu Xavier e Eliseu Labigalini,
fizeram uma experiência interessante. Incentivaram dependentes de crack a
fumar maconha no processo de largar o vicio.
Resultado: 68% deles abandonaram o crack e, depois, pararam
espontaneamente com a maconha, um índice altíssimo. Segundo eles, a
maconha é um remédio feito sob medida para combater a dependência de
crack e cocaína, porque estimula o apetite e combate a ansiedade, dois
problemas sérios para cocainômanos. Dartiu e Eliseu pretendem continuar
as pesquisas, mas estão com problemas para conseguir financiamento –
dificilmente um órgão público investirá num trabalho que aposte nos
benefícios da maconha.

O passado

O primeiro registro do contato entre o Homo sapiens e a Cannabis
sativa é de 6 000 anos atrás. Trata-se da marca de uma corda de cânhamo
impressa em cacos de barro, na China. O emprego da fibra, não só em
cordas mas também em vários tecidos e, depois, na fabricação de papel, é
um dos mais antigos usos da maconha. Graças a ele, a planta,
original da região ao norte do Afeganistão, nos pés do Himalaia,
tornou-se a primeira cultivada pelo homem com usos não alimentícios e
espalhou-se por toda a Ásia e depois pela Europa e África.

Mas há um uso da maconha que pode ser tão antigo quanto o da fibra do
cânhamo: o medicinal. Os chineses conhecem há pelo menos 2 000 anos o
poder curativo da droga,
como prova o Pen-Ts’ao Ching, considerado a primeira farmacopéia
conhecida do mundo (farmacopéia é um livro que reúne fórmulas e receitas
de medicamentos). O livro recomenda o uso da maconha contra
prisão-de-ventre, malária, reumatismo e dores menstruais. Também na
Índia, a erva já há milênios é parte integral da medicina ayurvédica,
usada no tratamento de dezenas de doenças. Sem falar que ela ocupa um
lugar de destaque na religião hindu. Pela mitologia, maconha era a
comida favorita do deus Shiva, que, por isso, viveria o tempo todo
“chapado”. Tomar bhang seria uma forma de entrar em comunhão com Shiva.

O Hinduísmo não é a única religião a dar destaque para a cannabis.
Para os budistas da tradição Mahayana, Buda passou seis anos comendo
apenas uma semente de maconha por dia. Sua iluminação teria sido
atingida após esse período de quase-jejum. Da Índia, a maconha migrou
para a Mesopotâmia, ainda em tempos pré-cristãos, e de lá para o Oriente
Médio. Portanto, ela já estava presente na região quando começou a
expansão do Império Árabe. Com a proibição do álcool entre o povo de
Maomé, iniciou-se uma acalorada discussão sobre se a maconha deveria ser
banida também. Por séculos, consumiu-se cannabis abundantemente nas
terras muçulmanas até que, na Idade Média, muitos islâmicos abandonaram o
hábito. A exceção foram os sufi, membros de uma corrente considerada
mais mística e esotérica do Islã, que, até bem recentemente,
consideravam a cannabis fundamental em seus ritos.

Os gregos usaram velas e cordas de cânhamo nos seus navios, assim
como, depois, os romanos. Sabe-se que o Império Romano tinha pelo menos
conhecimento dos poderes psicoativos da maconha. O historiador latino
Tácito, que viveu no século I d.C., relata que os citas, um povo da
atual Turquia, tinham o costume de armar uma tenda, acender uma fogueira
e queimar grande quantidade de maconha. Daí ficavam lá dentro, numa
versão psicodélica do banho turco.

Graças ao contato com os árabes, grande parte da África conheceu a
erva e incorporou-a aos seus ritos e à sua medicina – dos países
muçulmanos acima do Saara até os zulus da África do Sul. A Europa toda
também passou a plantar maconha e usava extensivamente a fibra do
cânhamo, mas há raríssimos registros do seu uso como psicoativo naquele
continente. Pode ser que isso se deva ao clima. O THC é uma resina
produzida pela planta
para proteger suas folhas e flores do sol forte. Na fria Europa, é
possível que tenha se desenvolvido uma variação da Cannabis sativa com
menos THC, já que não havia tanto sol para ameaçar o arbusto.

O fato é que, na Renascença, a maconha se transformou no principal
produto agrícola da Europa. E sua importância não foi só econômica: a planta
teve uma grande participação na mudança de mentalidade que ocorreu no
século XV. Os primeiros livros depois da revolução de Gutemberg foram
impressos em papel de cânhamo. As pinturas dos gênios da arte eram
feitas em telas de cânhamo (canvas, a palavra usada em várias línguas
para designar “tela”, é uma corruptela holandesa do latim cannabis). E
as grandes navegações foram impulsionadas por velas de cânhamo – segundo
o autor americano Rowan Robinson, autor de O Grande Livro da Cannabis,
havia 80 toneladas de cânhamo, contando o velame e as cordas, no barco
comandado por Cristóvão Colombo em 1496. Ou seja, a América foi
descoberta graças à maconha. Irônico.

Sobre as luzes da Renascença caíram as sombras da Inquisição – um
período em que a Igreja ganhou muita força e passou a exercer o papel de
polícia, julgando hereges em seu tribunal e condenando bruxas à
fogueira. “As bruxas nada mais eram do que as curandeiras tradicionais,
principalmente as de origem celta, que utilizavam plantas para tratar as
pessoas, às vezes plantas com poderes psicoativos”, diz o historiador
Henrique Carneiro, especialista em drogas da Universidade Federal de
Ouro Preto. Não há registros de que maconheiros tenham sido queimados no
século XVI – inclusive porque o uso psicoativo da maconha era incomum
na Europa –, mas é certo que cristalizou-se naquela época uma antipatia
cristã por plantas que alteram o estado de consciência. “O Cristianismo
afirmou seu caráter de religião imperial e, sob seus domínios, a única droga permitida é o álcool, associado com o sangue de Cristo”, diz Henrique.

Em 1798, as tropas de Napoleão conquistaram o Egito. Até hoje não
estão muito claras as razões pelas quais o imperador francês se
aventurou no norte da África (vaidade, talvez). Mas pode ser que o
principal motivo fosse a intenção de destruir as plantações
de maconha, que abasteciam de cânhamo a poderosa Marinha da Inglaterra.
O fato é que coube a Napoleão promulgar a primeira lei do mundo moderno
proibindo a maconha. Os egípcios eram fumantes de haxixe, a resina
extraída da folha e da flor da maconha constituída de THC concentrado.
Mas a proibição saiu pela culatra. Os egípcios ignoraram a lei e
continuaram fumando como sempre fizeram. Em compensação, os europeus
ouviram falar da droga
e ela rapidamente virou moda na Europa, principalmente entre os
intelectuais. “O haxixe está substituindo o champagne”, disse o escritor
Théophile Gautier em 1845, depois da conquista da Argélia, que, na
época, era outro grande consumidor de THC.

No Brasil, a planta
chegou cedo, talvez ainda no século XVI, trazida pelos escravos (o nome
“maconha” vem do idioma quimbundo, de Angola. Mas, até o século XIX,
era mais usual chamar a erva de fumo-de-angola ou de diamba, nome também
quimbundo). Por séculos, a droga
foi tolerada no país, provavelmente fumada em rituais de candomblé
(teria sido o presidente Getúlio Vargas que negociou a retirada da
maconha dos terreiros, em troca da legalização da religião). Em 1830, o
Brasil fez sua primeira lei restringindo a planta. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro tornou ilegal a venda e o uso da droga
na cidade e determinou que “os contraventores serão multados, a saber: o
vendedor em 20 000 réis, e os escravos e demais pessoas, que dele
usarem, em três dias de cadeia.” Note que, naquela primeira lei
proibicionista, a pena para o uso era mais rigorosa que a do traficante.
Há uma razão para isso. Ao contrário do que acontece hoje, o vendedor
vinha da classe média branca e o usuário era quase sempre negro e
escravo.

O presente

Segundo dados da ONU, 147 milhões de pessoas fumam maconha no mundo, o que faz dela a terceira droga psicoativa mais consumida do mundo, depois do tabaco e do álcool. A droga é proibida em boa parte do mundo, mas, desde que a Holanda começou a
tolerá-la, na década de 70, alguns outros países europeus seguiram os
passos da descriminalização. Itália e Espanha há tempos aceitam pequenas
quantidades da erva – embora a Espanha esteja abandonando a posição
branda e haja projetos de lei, na Itália, no mesmo sentido. O Reino
Unido acabou de anunciar que descriminalizou o uso da maconha – a partir
do ano que vem, a droga será apreendida e o portador receberá apenas uma advertência verbal. Os
ingleses esperam, assim, poder concentrar seus esforços na repressão de
drogas mais pesadas.

No ano passado, Portugal endureceu as penas para o tráfico, mas descriminalizou o usuário de qualquer droga,
desde que ele seja encontrado com quantidades pequenas. Porte de drogas
virou uma infração administrativa, como parar em lugar proibido.

Nos últimos anos, os Estados Unidos também mudaram sua forma de lidar
com as drogas. Dentro da tendência mundial de ver a questão mais como
um problema de saúde do que criminal, o país, em vez de botar na cadeia, obriga o usuário a
se tratar numa clínica para dependentes. “Essa idéia é completamente
equivocada”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, refletindo a opinião de
muitos especialistas. “Primeiro porque nem todo usuário é dependente.
Segundo, porque um tratamento não funciona se é compulsório – a pessoa
tem que querer parar”, diz. No sistema americano, quem recusa o
tratamento ou o abandona vai para a cadeia. Portanto, não é uma
descriminalização. “Chamo esse sistema de ‘solidariedade autoritária’”,
diz o jurista Maierovitch. O Brasil planeja adotar o mesmo modelo.

O futuro

Há possibilidades de uma mudança no tratamento à maconha? “No Brasil,
não é fácil”, diz Maierovitch, que, enquanto era secretário nacional
antidrogas do governo de Fernando Henrique Cardoso, planejou a
descriminalização. “A lei hoje em vigor em Portugal foi feita em
conjunto conosco, com o apoio do presidente”, afirma. A idéia é que ela
fosse colocada em prática ao mesmo tempo nos dois países. Segundo
Maierovitch, Fernando Henrique mudou de idéia depois. O jurista afirma
que há uma enorme influência americana na política de drogas brasileira. O fato é que essa questão mais tira do que dá
votos e assusta os políticos – e não só aqui no Brasil. O deputado
federal Fernando Gabeira, hoje no Partido dos Trabalhadores, é um dos
poucos identificados com a causa da descriminalização. “Pretendo, como
um primeiro passo, tentar a legalização da maconha para uso médico”,
diz. Mas suas idéias estão longe de ser unanimidade mesmo dentro do seu
partido.

No remoto caso de uma legalização da compra e da venda, haveria dois
modelos possíveis. Um seria o monopólio estatal, com o governo plantando
e fornecendo as drogas, para permitir um controle maior. A outra
possibilidade seria o governo estabelecer as regras (composição química
exigida, proibição para menores de idade, proibição para fumar e
dirigir), cobrar impostos (que seriam altíssimos, inclusive para evitar
que o preço caia muito com o fim do tráfico ilegal) e a iniciativa
privada assumir o lucrativo negócio. Não há no horizonte nenhum sinal de
que isso esteja para acontecer. Mas a Super apurou, em consulta ao
Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, que a Souza Cruz
registrou, em 1997, a marca Marley – fica para o leitor imaginar que
produto a empresa de tabaco pretende comercializar com o nome do ídolo
do reggae.

Frases


A popularidade da maconha explodiu em 1920, quando o álcool foi proibido

O consumo moderado de maconha não provoca nenhum dano sério à saúde

Das cordas às velas, havia 80 toneladas de cânhamo no navio de Colombo


Para saber mais


Na livraria


O Grande Livro da Cannabis, Rowan Robinson, Jorge Zahar, 1999

A Maconha, Fernando Gabeira, Publifolha, 2000

Science of Marijuana, Leslie L. Iversen, Oxford, Ingleterra, 2000

The Pursuit of Oblivion: A Global History of Narcotics 1500-200,
Richard Davenport-Hines, Weidenfeld & Nicolson, Ingleterra, 2001

Diamba Sarabamba, Anthony Henman e Osvaldo Pessoa Jr. (organizações), Ground, 1986

Plantas de los Dioses, Richard Evans Schultes e Albert Hofmann, Fondo de Cultura Económica, México, 1982

The Emperor Wears no Clothes, Jack Herer, Green Planet Company, Inglaterra, 1994

Green Gold the Tree of Life, Chris Bennett, Lynn e Osbum, Judy Osbum, Access, EUA, 1995

Amores e Sonhos da Flora, Henrrique Carneiro, Xamã, 2002


Fonte da Notícia - Revista Superinteressante

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